16.10.2019

As mulheres e Einstein

As mulheres e Einstein

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM

Fato incomum: 1.900 mulheres discutindo agronegócio, de questões mercadológicas a tendências de tecnologia, sustentabilidade, gestão, diplomacia ambiental e uma infinidade de outros assuntos, tratados em plenário ou atividades paralelas. Mulheres de todo o Brasil, de mais de 20 estados, todas as idades e uma rica diversidade: agricultoras, profissionais do setor, mães, filhas e avós, todas engajadas de corpo e alma na produção do campo. 

Foi no 4º Congresso Nacional de Mulheres do Agronegócio, dias 8 e 9 deste outubro, em São Paulo. Conversei com várias delas, com espírito de repórter. Queria saber o que pretendiam naquele evento. Registro aqui a primeira resposta que recebi: “Vim aprender mais, conhecer coisas novas”. Veio de mulher já bem madura, produtora de Goiás, associada de cooperativa. E ela ainda arrematou, com orgulho: “Estamos aqui em 52 mulheres, todas da Cooperativa”.

Entre as outras congressistas com quem falei, praticamente todas fizeram eco a essa primeira resposta. Foi quase unânime e com um detalhe: queriam aprender de tudo. Não era este ou aquele assunto, mas sim o máximo possível. Sede de descobrir, conhecer, discutir e ampliar a rede pessoal com outras agricultoras ou profissionais. E, no caso das mulheres da cooperativa goiana, foi um propósito minuciosamente planejado, com meses de antecedência. 

Segundo comentaram, desde fevereiro a cooperativa vinha promovendo encontros mensais de dois dias com o grupo escalado para participar do Congresso, com o objetivo de discutir assuntos da produção agropecuária em geral, dentro de uma agenda preparatória para a participação no evento. Aliás, uma iniciativa já louvável em si, como estratégia para melhor aproveitamento da oportunidade de participar do encontro.

Esse impulso da mulher rural para apreender já tinha um registro contundente em pesquisa realizada pela Corteva em 2018, entrevistando 500 brasileiras do campo. No levantamento, 80% das entrevistadas afirmaram ter interesse em receber mais treinamento e oportunidades de estudo, pois viam nisso o único caminho para superar barreiras que impedem as mulheres de terem uma participação plena e bem-sucedida no agronegócio. 

O papel da mulher na produção de alimentos é central. Trabalha, cria, produz, cuida e educa. E agora, pelo que observei, estão interessadas como nunca em se aprimorar, “mudar as coisas”, melhorar suas vidas e deixar um legado com orgulho. Mulheres atuantes, buscando visibilidade e empoderamento. Pés no chão, mas dispostas a melhorar o resultado econômico e a governança de suas atividades, prontas para desafiar a realidade. 

Após dois dias convivendo com aquele enorme, consciente e irrequieto contingente de mulheres, pensei com os botões: o Brasil vai dar saltos, sim, e antes do que imaginamos emergirá um agro desenhado só pela sustentabilidade, mais próximo da sociedade e ligado no mundo. No que depender daquelas quase duas mil mulheres, líderes em suas comunidades, vai ser assim. Certa vez, Einstein disse: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta a seu tamanho original”.   


Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

Postado por Alfapress Comunicações | 0 comentários
Marcadores: CCAS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando...