21.11.2017

RTRS anuncia apoio a ações urgentes no Cerrado Brasileiro

RTRS anuncia apoio a ações urgentes no Cerrado Brasileiro

Em uma cúpula de alto nível em Londres, a Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) anunciou seu forte apoio a um manifesto, publicado recentemente, que pede o fim da destruição das florestas e vegetações nativas na região do Cerrado brasileiro.

Em um comunicado aprovado pelo Comitê Executivo, a RTRS afirmou seu apoio ao Manifesto do Cerrado, elaborado por mais de sessenta organizações que operam no Brasil. 

O Manifesto convoca as empresas e investidores a tomarem medidas urgentes para garantir que as cadeias de suprimentos da soja e da carne bovina não contribuam para o desmatamento e a conversão de áreas naturais para fins agrícolas.

O Cerrado é considerado uma das grandes áreas naturais do planeta; no entanto, metade de sua área original já foi destruída. A área detém cerca de 5% da biodiversidade mundial e, das mais de 11 mil espécies de plantas no Cerrado, quase metade não existe em qualquer outro local do planeta. O Cerrado também armazena o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2).

A RTRS já trabalha com mais de 32.000 produtores de soja, bem como diversas marcas globais e conhecidas de alimentos e produtos agrícolas; a RTRS, portanto, está bem posicionada para fazer cumprir os compromissos do Manifesto, visto que a organização oferece um padrão global viável para a certificação da soja produzida sem desmatamento e sem contribuir para a conversão da vegetação natural.

De acordo com a Presidente da RTRS, Marina B. de Engels, parcerias colaborativas com produtores locais de soja são fundamentais. “A produção mundial de soja não pode prejudicar a biodiversidade mundial - esse é o nosso ponto de partida. É fundamental apoiarmos os produtores e a cadeia mais ampla de suprimento da soja, para que eles produzam soja responsável de acordo com um padrão confiável de desmatamento zero”, diz. 

“No Brasil, os membros e produtores da RTRS já vêm demonstrando que é possível produzir soja segundo esse padrão e, ao mesmo tempo, ampliar as atividades comerciais. A RTRS oferece forte apoio ao Manifesto do Cerrado e está pronta para trabalhar com os produtores locais e contribuir para a solução, ao invés de fazer parte do problema”, complementa. 

Uma recente inovação da RTRS foi a aprovação de seu novo Padrão de Produção de Soja Responsável. Essa terceira versão do padrão da RTRS foi acordada em junho de 2016 e tornou-se o padrão global de soja sustentável, promovendo o Desmatamento e Conversão Zero e relações trabalhistas e comunitárias mais progressistas. 

Além de ser uma mesa-redonda global e multipartes, a RTRS também desempenha um papel crucial ao garantir a confiabilidade da certificação da produção de soja responsável. Em 2016, a produção certificada pela RTRS cresceu 29% em relação a 2015; mais de 32 mil produtores da Argentina, Brasil, Canadá, China, Índia, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos produziram, juntos, mais de três milhões de toneladas de soja certificada pela RTRS. A maior parte dessa soja foi vendida no mercado europeu.

Segundo o Manifesto do Cerrado, incentivos e instrumentos econômicos - como os oferecidos pela RTRS - precisam ser desenvolvidos tanto pelo governo quanto pelo setor privado, de modo a recompensar os esforços dos agricultores que conservam as áreas de vegetação nativa. 

De acordo com Jean F. Timmers, Líder de Soja Global da WWF e membro do Comitê Executivo da RTRS, é por isso que a RTRS será fundamental para promover os avanços necessários no cenário atual. "O WWF assinou o Manifesto do Cerrado, é parceiro-chave na Colaboração para Florestas e Agricultura e considera a RTRS o único padrão que proíbe, explicitamente, toda e qualquer conversão de vegetação natural, bem como uma ferramenta extremamente útil para garantir a consecução transparente desse objetivo”, comenta.

Marcelo Visconti, Diretor-Executivo da RTRS, afirma que a RTRS é o padrão capaz de realizar, em escala, as mudanças necessárias para proteger o Cerrado. “Trata-se de um desafio global que envolve as gerações futuras. Os compromissos internacionais do setor privado, do governo, da sociedade civil e da própria comunidade exigem ações renovadas e soluções sustentáveis em longo prazo”, avalia.

“À medida que a produção de soja responsável aumenta constantemente, a RTRS oferece uma via prática e comprovada para atender a essa enorme demanda. Nosso padrão cobre tanto vegetações naturais quanto florestas. Ele foi elaborado colaborativamente por meio de diálogos entre produtores, a indústria e ONGs; trata-se de uma certificação transparente e confiável, capaz de reduzir os riscos da cadeia de suprimentos. É por isso que a RTRS quer apoiar o Manifesto do Cerrado e oferecer seu padrão global como a principal via de execução de ações rápidas e tangíveis na região”, finaliza. 

Notas

O Manifesto do Cerrado foi publicado em setembro de 2017, por uma série de organizações brasileiras que incluem o WWF-Brasil, The Nature Conservancy (TNC), Earth Innovation, CI-Brasil, Greenpeace Brasil, IPAM e Imaflora. O Manifesto é assunto de uma série de reuniões e workshops de alto nível em Londres e Bruxelas, a partir de 23 de outubro de 2017.

Fundada em 2006, a Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) é uma iniciativa civil pioneira e de âmbito internacional, formada pelos principais representantes da cadeia de valor da soja - como produtores, indústria, comércio, finanças e sociedade civil. A missão da RTRS é promover o uso e o aumento da produção sustentável de soja e, por meio do Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável (aplicável em escala global), garantir uma produção ambientalmente apropriada, socialmente adequada e economicamente viável. Atualmente, a RTRS reúne mais de 190 membros de diferentes países ao redor do planeta. 

De acordo com os registros da RTRS, no Brasil havia 1.246.020 hectares e 2.273.169 toneladas de soja certificados pela RTRS em 2016, bem como 554.222 hectares de áreas protegidas. De acordo com os mesmos registros, na região do Cerrado havia, em 2016, 951.143 hectares e 1.794.629 toneladas de soja certificados pela RTRS, bem como 412.634 hectares de áreas protegidas. Na região amazônica, 294.876 hectares e 478.540 toneladas foram certificados pela RTRS e foram registrados 141.788 hectares de áreas protegidas.

A RTRS tornou-se o principal padrão multipartes a garantir a produção de soja com Desmatamento e Conversão Zero. Os produtores que se adequam ao padrão RTRS também adotam uma série de melhorias em matéria de agroquímicos e recursos humanos, além de prevenirem possíveis danos ambientais ou sociais decorrentes da produção de soja. 

A Colaboração para Florestas e Agricultura (CFA) é uma das principais iniciativas de apoio ao Manifesto do Cerrado, na forma de um projeto de cinco anos que visa transformar a produção de soja e carne bovina com desmatamento zero no padrão global adotado para esses bens de consumo. Ela foi lançada conjuntamente, em 2016, pela National Wildlife Federation (NWF), The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF), Gordon and Betty Moore Foundation e vários outros parceiros estratégicos.

 

Postado por Alfapress Comunicações | 0 comentários
Marcadores: RTRS

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